terça-feira, 23 de junho de 2009

Os publicitários no País das Maravilhas

Eu sei que já falei algumas vezes sobre isso, mas não consigo evitar. Que mundo paralelo é esse onde vivem os publicitários e onde eles acham que vivem os consumidores de seus clientes?
Cada vez mais me sinto insultada pelas propagandas de TV que estão no ar. Outro dia vi a discussão de um projeto de lei que proíbe a propaganda para e com crianças. Sempre fui contra todo tipo de restrição, mas acho que dessa vez faz sentido.
Já viram a nova propaganda da Claro? Um garotinho de no máximo 9 anos começa o comercial dizendo que não tem jeito com as mulheres. Pausa para o comentário: desde quando meninos dessa idade estão preocupados com isso? Meu filho, que tem 8 anos e todos os seus amiguinhos só estão interessados em jogar bola, duelar cartinhas de personagens de desenhos e jogar vídeo-game.
Continuando, o menino tem um celular e fica o tempo todo pendurado no aparelho conversando com o irmão mais velho que dá dicas que como conquistar a garotinha que ele paquera. Outra pausa: sou radicalmente contra criança ter celular. Pra quê? Eu sei exatamente onde meu filho dessa idade está e se precisar com muita urgência falar com ele sei onde ligar ou procurar. Nesse caso, a maioria dos pais dá celular para os pequenos com a desculpa de ser mais seguro, mas pra que levar o celular na escola? Eles não deveriam estar prestando atenção na aula ao invés de se preocupar com o aparelho, fora que já virou símbolo de status entre a criançada.
Mais um detalhe: quem paga a conta? os pais é lógico e na propagando o menino passo o dia falando com o irmão no celular...
Outra propaganda péssima é de um carro, onde dois jovens com aquele estereótipo de bem sucedidos perguntam um para o outro onde gostariam de estar daqui a 5 anos. O rapaz se imagina dirigindo o tal carro com a moça ao lado, já ela se vê no mesmo carro, mas com o almofadinha como motorista! Sem comentários...
Faço um apelo aos publicitários: prestem atenção nas pessoas reais, que vivem de verdade e pensem propagandas para os seres humanos de carne e osso que são a maior classe consumidora do País.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Falta de responsabilidade

Ontem depois de muito tempo, zapeando pela TV, parei no Manhattan Connection (http://globosat.globo.com/gnt/programas/oprograma.asp?gid=19), programa feito por "jornalistas" brasileiros que moram na Big Apple. Eu gostava dos aúreos tempos do bate-papo, com Paulo Francis e Nélson Mota.
Hoje, o programa dá espaço para o moralmente questionável Diogo Mainardi. A Veja, veículo tendencioso e muitas vezes mentiroso, ter essa criatura como articulista já é uma irresponsabilidade com a ética e o bom senso e agora temos que ouvir as asneiras ditas por esse cidadão diretamente pela TV.
Na minha opinião ele é preconceituoso, mal educado e mais mal ainda intencionado. E o pior é que tem um monte de gente que aplaude. É só aparecer um maluco falando bobagem com cara de intelecutal que tem um monte de macaco de auditório achando lindo.
Desafio alguém a citar algo realmente inteligente e útil que esse rapaz tenha escrito ou falado. No programa de ontem, para coroar a semana, ele comemorou a decisão do STF de declarar que qualquer um - até mesmo o tal Mainardi - pode exercer a função de jornalista, sem precisar de diploma.
E o mais espantoso é que seus colegas de bancada - Caio Blinder, Lucas Mendes e Ricardo Amorim - concordaram em coro. Ele fez questão de elencar jornalistas antigos que não tinham diploma. Lógico, na época deles não existia o curso de jornalismo e os bons profissionais se formavam nas redações, era o tempo da profissão romântica, outra realidade. Não dá pra querer parar no tempo.
É assim que nossa categoria se defende, jogando areia uns nos olhos dos outros e dando espaço pra tanta papagaiada onde deveria haver jornalismo sério e de qualidade.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Campanha a favor dos não-diplomados

Resolvi lançar uma campanha em defesa dos jornalistas não-diplomados. Isso mesmo, sugiro um nicho especial de trabalho a todos os não formados que queiram se aventurar pela profissão.
Cozinheiros, jardineiros, costureiros e todos os outros profissionais citados pelo ministro Gilmar Mendes como os que não precisam de conhecimento técnico para exercer seus ofícios, devem ser contratados pelos veículos de comunicação para cobrir as façanhas do Judiciário. Renderiam matérias da forma como esse poder merece.
Indico também que os assessores de comunicação de todas as esferas do Judiciário sejam demitidos e que sejam contratados jornalistas não-diplomados no lugar para atender a imprensa, acompanhar entrevistas, escrever releases e os discursos dos nobres magistrados.
Seria a melhor forma de fechar com chave de ouro a decisão tomada pelo STF na última quarta-feira.


Em tempo: foto do Ministro Gilmar Mendes mandando nossa classe para aquele lugar!

Mimo

Ganhei, ou melhor meu blog ganhou, mais um mimo. O meu grande amigo Rodrigo Alves, jornalista diplomado e blogueiro - http://dandonota.wordpress.com/ - que me inspirou a fazer o Entre Telas nos concedeu um Meme. Um o quê?
Segundo a definição no Dando Nota, "Meme é tudo o que se aprende por cópia a partir de uma outra pessoa. Desde coisas simples, como comer usando talheres, até ações mais complexas , como escrever textos excelentes em blogs. Resumindo ao máximo, alguém faz, você vê, gosta e copia. Outras pessoas vão ver você fazendo, também gostarão e copiarão. Desta maneira, a evolução de um meme é quase sempre viral e exponencial.”
Para participar é só responder as perguntas abaixo e é claro indicar cinco blogs ao Meme. Vamos às perguntas:

MANIA: enrolar o cabelo com o dedo enquanto converso ou vejo TV;

PECADO CAPITAL: luxúria...

MELHOR CHEIRO DO MUNDO: de praia

SE DINHEIRO NÃO FOSSE PROBLEMA, EU FARIA: uma plástica nos peitos hahaha ou uma viagem pra Fernando de Noronha, ou as duas já que dinheiro não seria problema.

CASOS DE INFÂNCIA: Andei pela primeira vez segurando uma bexiga de gás comprada pelo meu avô.

HABILIDADES COMO DONA DE CASA: todas menos passar roupa! acho que me destaco na cozinha

FRASE: Não faça para os outros o que não gostaria que fizessem pra você!

PASSEIO PARA ALMA: Paraty

PASSEIO PARA O CORPO: Brotas

O QUE ME IRRITA: falta de educação

PALAVRA OU FRASE QUE USA MUITO: bacana

PALAVRÃO MAIS USADO: não falo muito palavrão, mas de vez em quando solto um car...

CHUTA O PAU DA BARRACA QUANDO: Me sinto injustiçada

PERFUME QUE USA NO MOMENTO: Forum Tufi Duek, Amour - Kenzo

ELOGIO FAVORITO: Como você está bonita!

TALENTO OCULTO: desenhar

NÃO IMPORTA QUE SEJA MODA NÃO USARIA NEM NO MEU ENTERRO: roupa com estampa de bichos (onças, tigres e cia)

QUERIA TER NASCIDO SABENDO: a compreender o ser humano

SOU EXTREMAMENTE: atenciosa

Agora as regras:

1- Dizer quem te presenteou com o selo e colocar o link do blog;
2 – Copiar e responder o questionário;
3 – Presentear 5 blogs com o selo e avisá-los sobre.

Vamos aos indicados:




Em tempo:
caricatura do Rodrigo feita por Erasmo Spadoto

quinta-feira, 18 de junho de 2009

LUTO - Mataram meu diploma

Pois é, esse é o assunto do dia no mundinho jornalístico, os magistrados mataram nosso diploma em nome da liberdade de imprensa... que irônico. Liberdade essa "defendida" pelas empresas jornalísticas que agora podem contratar quem bem entenderem para a nossa função, de preferência que custe pouco e não pense.
Faz tempo que a profissão de jornalista está desacreditada, a classe é desunida e não se ajuda e o sindicato vive "abrindo as pernas" pros patrões. Qualquer modelo/atriz por aí se dá ao direito de apresentar programas de TV e sair entrevistando todo mundo, claro que a qualidade sempre é duvidosa, mas ninguém reclamava, agora liberou geral.
Pelo menos vai servir pra brecar a proliferação das faculdades de jornalismo de fundo de quintal de onde saíam vários colegas que não sabiam ao menos escrever.
Qual será agora o critério para ser jornalista? Será que caberia à Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) normatizar a profissão como fazem a OAB com os advogados e o CREA com os engenheiros? A desicão foi tomada e não cabe recurso, mas é preciso tentar colocar ordem na casa.
Eu não aprendi a profissão de jornalista na faculdade, isso se aprende no dia-a-dia, como em qualquer ocupação. Na universidade aprendi a pensar, a questionar, a ter senso crítico e a saber apurar o que realmente é notícia. Como vão fazer esses novos jornalistas que não sabem nada sobre a ética da profissão, semiótica, filosofia, antropologia, linguística, teorias da comunicação e tantas outras disciplinas que fizeram minha base pessoal e intelecutal? São esses os jornalistas que as empresas querem? Pois façam bom proveito.
Dudivo que algum grande jornal vá se arriscar a contratar um jornalista não-diplomado para dirigir sua redação, para apurar notícias importantes ou ser repórter especial. Os bons veículos ainda primam pela credibilidade da informação para sobreviver.
Nas rádios e nas TVs a bagunça já imperava, com jornalistas sendo contratados como radialistas para ganhar menos e acredito que o peso será maior nas redações pequenas e nos jornais de interior.
Se pela lei não é necessário que sejamos diplomados que pelo menos prevaleça o bom senso e que haja mobilização de sindicatos e entidades de classe para normatizar a profissão.


Em tempo: A exigência de diploma em curso superior de Jornalismo para o exercício da profissão de jornalista foi considerada inconstitucional. Assim decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF) ao julgar na tarde de ontem (17/06), o Recurso Extraordinário RE 511961, que questionava a exigência do diploma em curso superior de Jornalismo como requisito para o exercício da profissão. Não cabem mais recursos à decisão.
O RE foi uma iniciativa do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo e do Ministério Público Federal para derrubar a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região que, em 26 de outubro de 2005, ratificou a exigência do diploma como requisito para o exercício da profissão, afirmando que ela não se chocava com as liberdades de expressão e de imprensa.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sonho de consumo

Sabe aquela vontade enorme, que dá até coceira quando você vê seu objeto do desejo? Eu tenho uma dessa toda vez que ouço falar da Flip (Feira Literária Internacional de Paraty) - http://www.flip.org.br/
A próxima vai ocorrer de 1 a 5 de julho, ai que vontade que dá! Paraty por si só já é um deslumbre com suas casinhas coloniais e praias quase desertas. Imagina cheia de gente descolada e inteligente e vários escritores incríveis lançando seus livros e discutindo literatura somados a teatro, música e cultura aos baldes. Um sonho!
Faz tempo que quero me programar para ir à Flip, mas não tem sobrado espaço na agenda nem dinheiro.
Tem ainda a Flipinha - http://www.flipinha.org.br/, destinada ao público infantil e que esse ano vai homenagear Manuel Bandeira. Hum que vontade que dá...
Vale a pena entrar nos sites e viajar pela programação. Enquanto não consigo ir à Flip real, me deleito com a virtual... quem sabe nos próximos anos apareço por lá.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Blog da Petrobras

O assunto mais falado do momento no meio jornalístico é o blog da Petrobras chamado Fatos e Dados - http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/
A página foi criada há alguns meses pela estatal brasileira como um canal de comunicação com a imprensa e a população em geral. Achei a idéia incrível, ainda mais com a empresa em meio a denúncias e CPIs. Mostra boa vontade com a transparência.
Alguns jornalistas porém, têm reclamado da iniciativa, pois o blog publica as entrevistas solicitadas e concedidas aos porta-vozes da Petrobras. Reclamam que a página "fura" os veículos que pediram as informações. Discordo, a matéria não é feita somente com uma entrevista, faz parte do texto e eles não divulgam a pauta toda.
Para tentar amenizar o desconforto as entrevistas só são publicadas agora a partir da meia-noite da data da publicação da matéria no jornal ou revista ou na hora que estão no ar programas de rádio ou TV. Mais um ponto para o profissionalismo do pessoal da Petrobras.
Longe de mim defender esse ou aquele, mas alguns jornais pra lá de tendenciosos, como a Folha de S. Paulo, que costumam distorcer entrevistas e informações, são os que mais estrilam, pois agora as respostas ficam às claras para quem quiser ver.
Acredito que seja mais uma forma de deixar o jornalismo brasileiro o mais ético e transparente possível.
Espero que outras empresas e instituições sigam o exemplo da Petrobrás e invistam nessa nova forma de comunicação empresarial. Todos só têm a ganhar!